MADRAGOA
CORROTTO COSMO
Andrea Respino
20 January – 11 March 2023 Madragoa Lisbon, Portugal
Press release

 

After his participation in the group show Sul disegno e la pittura (ne usciremo), curated by Renato Leotta in 2021, Madragoa is delighted to present the first solo exhibition of Andrea Respino (b. 1976, Mondovì) at the gallery.

 

The works gathered in the show, belonging to a cycle made between 2021 and 2022, are all executed with colored pastels on board. The short, frenetic strokes of the pencil, which record the artist’s rapid, meticulous and repetitive gesture, are not softened by an absorbent medium, such as paper or canvas. On the smooth and rigid surface of the wooden panel, they remain sharp, creating a dense and vibrant yet delicate lattice that hold together elements from different contexts, and in which enigmatic scenes are wrapped up. As on a screen, the colored marks do not blend, but give the images plasticity, mobility and nuances through their weaving and juxtaposition.

 

Respino’s works offer themselves to the eye as if through a filter, as if a light frost had settled on their surfaces—on the landscape as well as on its inhabitants—and this is not just a formal device. It envelops and protects the mysterious essence of the depicted scenes, projecting them into a remote dimension of muffled silence, detached from reality. Desolate outdoor spaces—barren, steep terrain, bare trees, small streams or puddles, sometimes dotted with concrete, basic architectural elements—provide a backdrop for male figures of different ages, often partially undressed, engaged in indecipherable actions. They interact with each other through ambivalent gestures, or rather, simple gestures that, due to the uncanny compositions and timeless substance of the images, seem to perform a solemn ritual whose meaning remains unknown, suspended, open to interpretation. Every element of the picture seems to be a presentiment, to stand for something else. Incongruities make the atmosphere akin to that of dreams, a link that is emphasized by the presence of creatures of invention, of recurring elements, sometimes by unnatural chromatism, but also by the candor, the shamelessness with which this masculine universe poses, showing off its intimacies, its ageing body, its fragilities.

 

Are these scenes set in a primordial past or in a post-apocalyptic future? Are they places that depict a paradise or a Utopia-ghost places that haunt the human imagination?

 

Few traces are given by the artist, who portrays these contemporary ascetics whose faces are furrowed by “ancient” wrinkles, evoking stylistic features of the Western pictorial tradition. The neat and sharp sign of Cosmè Tura, the harshness of 14th-century Tuscan painting, the hybrid creatures of the visionary Hieronymus Bosch—Respino, in his choice of references, naturally leans towards anti-classical art, towards those artists who do not seem to be entirely in tune with their times.

 

In a 2021 interview, the artist stated: “In many cases, the characters I paint appear as if they were in a theatre scene. They make clumsy gestures, they reveal themselves awkwardly. Almost as if one could also see a kind of parody of restlessness. This is because we are dealing with a constant transformation: it is not possible to achieve an unambiguous form or an image that corresponds precisely to what is happening. There is always something out of place.”

 

Shapeless materials such as water or plastic bags stand for this continuous transformation, of this ambiguity without pose or solution, they both need another element, be it container or content, to take shape.

 

Similarly, the otherness of the observer’s gaze is needed to complete the pictures, to make them effectively alienating. The eye captures this humanity in its flagrant misery, which if it were not the object of this gaze would not be so, and would continue to exist in its non-corrupt cosmos.

 

 


 

PT

 

Após a sua participação na exposição coletiva Sul disegno e la pittura (ne usciremo), com curadoria de Renato Leotta em 2021, a Galeria Madragoa tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual de Andrea Respino (n. 1976, Mondovì) na galeria.

 

As obras reunidas na exposição, pertencentes a um ciclo realizado entre 2021 e 2022, são todas executadas com pastel colorido sobre madeira. Os traços curtos e frenéticos do lápis, que registam o gesto rápido, meticuloso e repetitivo do artista, não são suavizados por um meio absorvente, como o papel ou a tela. Na superfície lisa e rígida do painel de madeira, permanecem afiados, criando uma malha densa e vibrante, mas delicada, que mantém juntos elementos de diferentes contextos, e na qual cenas enigmáticas estão embrulhadas. Tal como num ecrã, as marcas coloridas não se misturam, mas dão às imagens plasticidade, mobilidade e nuances através da sua tecelagem e justaposição.

 

As obras da Respino oferecem-se ao olho como se através de um filtro, como se uma leve geada se tivesse instalado nas suas superfícies – tanto na paisagem como nos seus habitantes – e isto não é apenas um dispositivo formal. Envolve e protege a essência misteriosa das cenas representadas, projetando-as numa dimensão remota de silêncio abafado, afastado da realidade. Espaços exteriores desolados – estéreis, terreno íngreme, árvores nuas, pequenos riachos ou poças, por vezes salpicados com elementos arquitetónicos básicos de betão – proporcionam um pano de fundo para figuras masculinas de diferentes idades, frequentemente parcialmente despidas, envolvidas em ações indecifráveis. Interagem umas com as outras através de gestos ambivalentes, ou melhor, gestos simples que, devido às composições inquietantes e à substância intemporal das imagens, parecem realizar um ritual solene cujo significado permanece desconhecido, suspenso, aberto à interpretação. Cada elemento da imagem parece ser um pressentimento, para significar algo mais.

 

As incongruências tornam a atmosfera semelhante à dos sonhos, uma ligação que é enfatizada pela presença de criaturas de invenção, de elementos recorrentes, por vezes por cromatismo não natural, mas também pela candura, a falta de vergonha com que este universo masculino se apresenta, mostrando a sua intimidade, o seu corpo envelhecido, as suas fragilidades.

 

Estas cenas situam-se num passado primordial ou num futuro pós-apocalíptico? São lugares que retratam um paraíso ou uma utopia-lugares-fantasma que assombram a imaginação humana?

 

Poucos vestígios são dados pelo artista, que retrata estes ascetas contemporâneos cujos rostos são sulcados por rugas "antigas", evocando características estilísticas da tradição pictórica ocidental. O sinal limpo e nítido de Cosmè Tura, a dureza da pintura toscana do século XIV, as criaturas híbridas do visionário Hieronymus Bosch – Respino, na sua escolha de referências, inclina-se naturalmente para a arte anticlássica, para aqueles artistas que não parecem estar inteiramente em sintonia com a sua época.

 

Numa entrevista em 2021, o artista afirmou: "Em muitos casos, as personagens que pinto aparecem como se estivessem numa cena de teatro. Fazem gestos desajeitados, revelam- se estranhamente. Quase como se também se pudesse ver uma espécie de paródia de inquietude. Isto é porque estamos perante uma transformação constante: não é possível alcançar uma forma inequívoca ou uma imagem que corresponda precisamente ao que está a acontecer. Há sempre algo fora do lugar".

 

Materiais sem forma, tais como água ou sacos de plástico, representam esta transformação contínua, desta ambiguidade sem pose ou solução, ambos precisam de outro elemento, seja recipiente ou conteúdo, para tomar forma.

 

Do mesmo modo, a alteridade do olhar do observador é necessária para completar as imagens, para as tornar efetivamente alienantes. O olho capta esta humanidade na sua flagrante miséria, que se não fosse o objeto deste olhar não o seria, e continuaria a existir no seu cosmos incorrupto.

Artworks

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